Morte de atleta reacende sinal de alerta

Caso do jogador Daniel, do EC São Bernardo, coloca em xeque avaliações nas pré-temporadas



 O ataque cardíaco que vitimou Daniel Silva Ferreira, 22 anos, meia-atacante do Esporte Clube São Bernardo, na última terça-feira (13/07), voltou a colocar em dúvida os exames médicos obrigatórios realizados pelos clubes.
O caso assemelha-se ao do zagueiro Serginho. O defensor do São Caetano, então com 30 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória em pleno gramado do estádio do Morumbi no dia 27 de outubro de 2004 durante partida de sua equipe contra o São Paulo Brasileirão. O jogador, levado ao hospital São Luiz, na capital, faleceu 40 minutos depois de dar entrada na emergência.
A polêmica morte de Serginho fez surgir uma série de questionamentos com relação à saúde dos jogadores. O presidente do clube, Nairo Ferreira de Souza, e o médico Paulo Forte foram indiciados, em um primeiro momento, por homicídio, mas o processo foi posteriormente arquivado, pois a Justiça classificou o episódio como uma fatalidade.
No entanto, mortes como a do atleta do Cachorrão poderiam ser evitadas por meio de avaliação aprofundada. Quem garante é o coordenador do Núcleo de Saúde no Esporte da Faculdade de Medicina do ABC, o cardiologista Marcelo Ferreira.
De acordo com o gestor de futebol do EC São Bernardo, Palhinha, a autópsia realizada pelo IML (Instituto Médico Legal) mostrou que o coração do jogador bernardense era duas vezes maior que o normal, problema ocasionado pela chamada cardiopatia hipertrófica, quando os músculos do coração aumentam. O dirigente afirmou que Daniel fez “duas ou três avaliações” antes de entrar em campo com a camisa do Cachorrão na Segundona do Campeonato Paulista.
Anomalias como estas podem ser causadas por doenças congênitas ou por outros males, como a Doença de Chagas. “Aqui no Núcleo a gente faz uma avaliação de pré-preparação no esporte, que engloba entrevista, exame clínico, cardiológico detalhado, eletrocardiograma, ecocardiograma, além de exame de sangue, incluindo sorologia para Doença de Chagas”, detalha o cardiologista, que lembra ainda que 95% das mortes súbitas em atletas são por causas cardíacas. “No caso de doenças congênitas, um coração aumentado pode ser facilmente visto em um eletro ou ecocardiograma”, completa.
A Faculdade de Medicina do ABC faz o acompanhamento dos jogadores do Esporte Clube Santo André, Ituano, São Bernardo FC e atletas do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

  Por: Walter Fernandes  (wfernandes@abcdmaior.com.br)

Fonte: www.abcdmaior.com.br
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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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