Das greves à elite do futebol

Palco de manifestações na década de 1980, Primeiro de Maio recebe craques do Paulistão em 2011






Em 1º de maio de 1980, em meio à greve geral de 41 dias, o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo, era palco de uma das maiores manifestações operárias da história. Mesmo com as ameaças do governo militar, cerca de 120 mil pessoas se aglomeraram no local para reivindicar direitos, como garantia do emprego e redução da jornada de trabalho. No mesmo local, muitos outros atos levantaram a bandeira da luta econômica e política.



Mais de 30 anos depois, o campo bernardense volta a ser destaque. No entanto, as atenções voltam-se para dentro das quatro linhas do gramado, hoje um tapete verde que receberá, a partir de 15 de janeiro, os jogos do São Bernardo Futebol Clube na Série A1 do Campeonato Paulista pela primeira vez na vida esportiva da cidade.



Talvez uma ironia do destino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, naquele dia preso em uma das celas do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), não participou do ato que ficaria na história. Ironia porque na partida de 30 de janeiro, entre São Bernardo e Corinthians, o mesmo Lula será uma das principais atrações do confronto. “Ele dará o pontapé inicial no jogo”, destaca o presidente do clube, Luiz Fernando Teixeira.



Djalma Bom já pisou naquele campo. Ele, porém, não era um dos craques do passado, mas um dos milhares de trabalhadores que buscavam seus direitos. “No começo aquela era uma luta para obtermos melhores condições econômicas, mas passou a ser uma luta política”, lembra o ex-dirigente sindical e ex-deputado, que era da diretoria do Lula no sindicato.



O Vila Euclides, porém, é considerado mais do que um estádio pelo ex-dirigente sindical. “Era, na verdade, uma trincheira de luta dos trabalhadores para que seus direitos fossem respeitados”, ressalta.

Algumas imagens não saem da cabeça de Djalma. Principalmente pelo fato de saber que a classe operária e o Exército Brasileiro, na época, não jogavam no mesmo time. “Lembro quando estávamos em assembleia na Vila Euclides e o helicóptero do Exército passava com uma metralhadora apontando para nós, que levantávamos a bandeira brasileira”, destaca Djalma, que tem uma certeza: “Naquele momento, éramos muito mais brasileiros que eles”.



Hoje o estádio passa pelas últimas reformas para receber os jogos do Paulistão. As arquibancadas e cabines de imprensa foram reformadas. O local também está ganhando refletores para partidas noturnas.

Foto: Antonio Ledes

Por: Walter Fernandes  (wfernandes@abcdmaior.com.br)

Fonte: http://www.abcdmaior.com.br/
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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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