EM NOME DA VIDA, REMANDO CONTRA A MARÉ

Atleta encara adversidade da vida com a garra das competições esportivas



Segunda-feira, 25 de maio de 2009. Pouco depois da hora do almoço, Cleuton Nunes, morador de Diadema, 29 anos e mais de 160 títulos em
competições de taekwondo, estava em sua moto e aguardava a luz verde do semáforo em cruzamento de São Paulo. Quando a cor mudou, o professor de educação física seguiu sem perceber que, no mesmo instante, outra moto ignorava o sinal vermelho no sentido transversal. O impacto foi inevitável.
Cleuton não se deu conta da gravidade e achou que a fratura no braço direito era a única causada pelo impacto. No hospital, o tetracampeão brasileiro e paulista de taekwondo soube que o caso não era tão simples e foi informado que precisaria amputar uma das pernas.
“Vou sobreviver? Então pode cortar”, disse. Mas a situação se agravou e o professor, que viajara o Brasil e o mundo participando de competições, entrou em coma. Quando acordou, uma semana depois, soube que os médicos precisaram amputar também a perna esquerda.
Durante um período, o atleta questionou as razões e as circunstâncias que alteraram o curso de sua vida. A família, os amigos e a filha foram fundamentais para Cleuton entender que deveria seguir em frente e que o caminho para isso era o esporte.
Testou várias modalidades até se apaixonar pelo caiaque há seis meses. Mesmo mantendo o medo de água, logo se identificou com o esporte. “No caiaque todo mundo é igual. As pessoas só percebem que não tenho as pernas quando saio do barco.”
Integrante da Golden Hands Team, equipe brasileira de paracanoagem chefi ada pelo técnico Paulo Barbosa, o professor participará em novembro das classificatórias para o campeonato sulamericano. Por isso, treina nas manhãs de segunda a sábado no Estoril, em São Bernardo.
À tarde, é personal na mesma academia na qual trabalhava antes do acidente, dá palestras motivacionais e até desenvolveu uma aula para defi cientes.
O atleta espera há dois anos por uma prótese no SUS para realizar o sonho de se locomover sozinho. Apesar da demora, mantém o otimismo e enfatiza que continua fazendo tudo que fazia antes, mas de forma diferente. “Se você procurar deficiência, vai achar. Todo mundo é deficiente em alguma coisa. Vou continuar me dedicando ao esporte e sei que vou colher os frutos.”


Por: Rosângela Dias  (rosangela@abcdmaior.com.br)

Foto: Andris Bovo

Fonte: www.abcdmaior.com.br
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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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