Jogador de São Bernardo conhece o drama do futebol

Mesmo aos 34 anos, André Cardozo ainda sonha em jogar mais dois ou três anos num clube
 
Há quem diga que no Brasil a cada mil jogadores profissionais apenas dez conseguem ser
alguém na profissão e apenas um vira craque em clube médio ou grande, mas longe de comparação a Neymar, Ganso, Kaká ou Robinho. Na lista da maioria, com certeza, está André Cardozo da Silva, o zagueiro André, 34 anos, nascido em Bonito, Pernambuco, e desde criança convivendo com a família em São Bernardo. O sonho de ser um jogador famoso já passou, mas ainda luta para ser “mais um num time profissional mesmo que seja por dois ou três anos na A2 ou A3”.
Com boa estatura para zagueiro interno (1m84), 76kg, André tem se confrontado com autêntica odisséia no futebol. Vestiu até recentemente a camisa de seu ex-clube, o Palestra de São Bernardo, mas que (por falta de recurso financeiro) desistiu de disputar a Segunda Divisão de 2012. Para sobreviver, André tem jogado no Palmeirinha, da Primeirinha de São Bernardo, onde ganha pequeno cachê por partida, e entrega de moto galões de água durante a semana. Além de tudo isso, ainda treina para manter a forma física.
Sonho
“Tenho visto jogos da A2 e estou ainda buscando fazer meu último contrato. Outro dia sonhei que tinha sido contratado pelo São Bernardo Futebol Clube, mas quando acordei deu vontade de chorar”, lembra André, que não admite ficar de fora do futebol, apesar dos 34 anos. “Sinto-me com 28, corro, marco, jogo bem na várzea, e só peço uma chance para fazer um teste no Tigre, Santo André ou quem sabe no Azulão. Será que ninguém pode me dar uma chance?”, completa.
André começou nas escolinhas do Cachorrão, há mais de dez anos, e depois teve rápidas passagens pelo União de Araras, sub-21 do Santos, EC Bagé-RS, Tupi-SC. “Joguei meio ano no Penafiel de Portugal, retornei ao Brasil e fui tentar a sorte no Clube Atlético Adapi do Paraná”.
Por onde passa, André relata com tristeza. “Às vezes você joga bem, dá conta do recado, mas vira reserva porque quem veste a sua camisa é amigo do treinador, empresário, do presidente. O futebol é muito cruel”, diz o experiente André, que sempre que pode faz caminhadas e até “embaixadas” no campo de grama sintética do Centro Esportivo do Jardim Lavínia.

  Por: Edélcio Cândido  (edelcio@abcdmaior.com.br)

Foto: Norberto da Silva 


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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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