SÃO BERNARDO FAZ ESTUDO INÉDITO SOBRE LESÕES EM GRAMAS SINTÉTICAS

Fisioterapeuta Leandro Dias vai publicar artigo sobre o tema e pretende ajudar a prevenir problemas físicos

Desde 2009, o fisioterapeuta do São Bernardo Futebol Clube, Leandro Dias, desenvolve um estudo em conjunto com
demais profissionais do clube sobre a incidência de lesões em gramados sintéticos. Até o meio do próximo ano, o doutor publicará um artigo científico inédito no Brasil sobre o tema, mostrando uma comparação dos problemas físicos causados pelos dois tipos de grama. 

 “Seremos o primeiro clube a ser criticado em relação a um estudo sobre gramado sintético, queremos ser referência. Não há um trabalho na literatura que comprove a diferença (da ocorrência de lesões em gramados sintéticos e naturais)”, explicou Dias, que é pós-graduado em fisiologia biomecânica pela USP. 

O fisioterapeuta esteve neste ano nos Estados Unidos, onde visitou seis campos com gramas artificiais e conversou com especialistas no assunto – inclusive profissionais do beisebol e futebol americano. Para servir de amostra à pesquisa, foram separados dados de 259 atletas do São Bernardo. Sem poder divulgar a conclusão do trabalho, Dias fez observações sobre o estudo. De acordo com o doutor, o grande perigo para os jogadores é treinar e jogar em duas superfícies diferentes.

“O tornozelo fica estável em um gramado sintético (sem vibração). O problema é que o atleta treina a semana inteira nessa superfície e depois vai jogar no natural, onde o tornozelo fica instável. É essa mudança que provoca as lesões”, explica Dias. Já baseado nisso, o clube criou exercícios de adaptação para condicionar os boleiros e minimizar esses problemas físicos, já pensando na disputa da Copa São de Futebol Júnior. 

O estádio do Baetão, revestido de grama artificial, é uma das sedes da competição e tem o Tigre confirmado. Especificamente em relação ao gramado sintético, as chuteiras são as “vilãs” na visão dos especialistas norte-americanos. “Eles disseram que a chuteira sem trava redonda contribui para a ocorrência de lesões”, contou Dias. Legado O fisioterapeuta sabe que receberá críticas sobre o estudo, mas pretende fazer com que o trabalho vire referência para os demais clubes do Brasil e, principalmente, que ajude a preservar a integridade física dos jogadores. 

Zagueiro é “expert” em gramado artificial
 De acordo com a Fifa (sigla em inglês para Federação Internacional de Futebol), os primeiros campos de grama sintética foram construídos na década de 1960. O primeiro torneio oficial da entidade aconteceu em 2003, no Campeonato Mundial sub 17. Apesar de ter apenas 19 anos, o zagueiro do São Bernardo Jaimes já fez cerca de 80 jogos nesse tipo de superfície e não guarda boas lembranças. 

“É difícil falar em preferência de grama, porque o do Baetão é muito bom, mas tem alguns (estádios) fora do País que não são legais, são mais duros”, comentou o jogador, que se familiarizou com a superfície em partidas na Coréia do Sul, Cazaquistão e na época do Olé Brasil. A experiência se estenderá para 2013, quando defenderá o São Bernardo na Copa São Paulo de Futebol Júnior, no Baetão. O zagueiro revelou que se preocupa com o tipo de chuteira usada no sintético por conta do risco de lesões. “Eu sempre me acostumei a jogar com chuteiras de travas de ferro, mas no sintético tem que saber escolher”, observou Jaimes, que diz nunca ter sofrido uma lesão séria na curta carreira. De acordo com o defensor, no entanto, os adversários costumam reclamar quando atuam nesse tipo de gramado. “O único lado ruim para mim é que o sintético queima muito quando você cai”, ressaltou Jaimes.


Por: Antonio Kurazumi  (kurazumi@abcdmaior.com.br)
http://abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=45244
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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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