Clubes da várzea abusam da criatividade na caça por reforços

Dirigentes se apegam a doações de comerciantes e trazem bons atletas pagando combustível, lanches, remédios e até churrasco




O sucesso para a temporada dos campeonatos do futebol amador do ABCD depende muito de
 estratégias, patrocínios, parcerias, bons reforços e, obrigatoriamente, criatividade para que os times tenham estrutura suficiente em busca de títulos. Os dirigentes das equipes da Região já veem como normal os jogadores trocarem de times pulando entre a Primeira, Segunda ou Terceira Divisão nos maiores municípios do ABCD. Cada um usa seu raciocínio para montar um bom time na várzea.



No folclórico futebol de várzea regional há até uma espécie de empresário, caso de José Carlos Bispo dos Santos, o “Coxinha”, de São Bernardo, que, além de arrumar amistosos, indica bons jogadores desempregados, negocia troca de atletas e cachê reivindicado por cada um. Da mesma forma, há clubes que se recusam a pagar em dinheiro e preferem fazer os churrascos pós-jogos alegando a falta de caixa.



“Existem amigos e diretores ou técnicos que me pedem um bom goleiro disponível, zagueiros ou atacantes”, explica Coxinha, que lembra ter boas indicações como o ala Dani, o volante Chileno, e os meias Ratinho, Welington, Branco, Silas, Russo, Rogerinho e Cicinho. No entanto, o detalhe é que ninguém assume o pagamento de cachês, mas um eficiente jogador, goleiro ou atacante receberia entre R$ 80, R$ 100 ou até R$ 120 por partida, principalmente na reta de chegada da Primeira Divisão.



O jovem goleiro Celso, do Boa Vista de Diadema, muito requisitado na várzea, chega a jogar por dois ou três times diferentes (em cidades do ABCD) a cada final de semana. “É um dinheirinho extra que me auxilia muito enquanto estou desempregado, e adoro jogar futebol”, diz Celso. Diretores de ligas da Região evitam citar clubes que pagam cachês, mas há quem garanta que algumas equipes reservem mil reais para cada jogo, e a importância é dividida entre os jogadores. O Nacional da Vila Vivaldi, em São Bernardo, que disputou o Amador do Estado (tem estádio distrital), seria um dos times que dentro do possível premia os atletas.



Patrocínios - De acordo com o presidente do Nacional da Vila Vivaldi, Maurício Cardoso, os patrocinadores de camisa ajudam a sustentar as equipes. “Quem nos ajuda a montar bom time são os patrocinadores com logotipos na camisa, placas de publicidade no campo e algumas raras doações de associados.” O vice-presidente e empresário, Carlos Pistóia, dá bom suporte gerencial e parceiros ao Nacional. O Vila Vivaldi, Corinthians, Eldorado, Vila Ferreira, EC DER, Paulicéia, Vila Baeta, Orquídea e Riacho Grande teriam hábito de dar uma ajuda mínima por partida custeando gasolina e lanche.



Há ainda equipes que não dispõe de verba, caso do Guarani de Diadema, da Divisão Especial que, de acordo com o presidente do clube, Brasil da Silva Gomes, não consegue manter alguma sobra financeira. De acordo com Silva, o Guarani deve até ficar de fora do Campeonato da Divisão Especial deste ano por carência de "recursos financeiros" para manter o time na competição devido as taxas de praxe.



Maioria joga por amor ao clube



Bicampeão do Estadual Amador de Diadema, o Boa Vista tem boleiros que também atuam em outros times. Em São Caetano, os melhores jogadores do Jabaquara recebem um auxílio, mas não é sempre. “A gente dá um cachê, mas não é em todos os jogos. Cachê é mais em reta de chegada. A maioria joga porque gosta do time. Tem jovens que atuam conosco há vários anos”, conta o presidente Francisco Neto.



O forte time do clube Metalúrgicos, campeão da Primeira Divisão, em São Caetano, leva a fama de investir em bons atletas, mas a diretoria nega. No Tamoyo, Em Cima da Hora, Sete de Setembro, Águias de Nova Gerti e Inter a ordem é não remunerar os jogadores. A partir de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, há um diferencial onde os clubes pouco se preocupam em trazer jogadores que custam cachês e jogam mais pelo amor ao clube.



Em Santo André os principais times são o Guaraciaba, Ana Maria, Stella, São Paulo, Ypiranga, Vila Sá, Sacadura Cabral e Rio Avante. Em Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra diminuem os campeonatos e o futebol amador ainda é literalmente amador. Para o presidente da Liga de Mauá, Marco Antonio Quinho Capuano, “já foi o tempo em que algumas equipes traziam jogadores a troco de cachês; hoje os clubes vivem em dificuldades e desconheço se alguém está a procura de reforços pagos. O que sai é um churrasquinho de vez em quando

Por: Edélcio Cândido (edelcio@abcdmaior.com.br )



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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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