BERNARDENSE FAZ PARTE DA 1ª E ÚNICA EQUIPE DE DEFICIENTES DO BRASIL

Piloto Thiago Cenjor corre Campeonato Paulista de Marcas e Pilotos e se transformou em embaixador do esporte paraolímpico 

A última sexta-feira (14/06) foi um dia festivo para Thiago Cenjor. Não comemorou mais um ano de vida e nem participou de confraternização de algum familiar ou amigo, mas completou 12 anos desde que levou um
tiro nas costas  durante assalto e perdeu o movimento das pernas. O sãobernardense festejou a data em que sua vida mudou para melhor no autódromo de Interlagos, nos treinos livres para a sexta etapa do Campeonato Paulista de Marcas e Pilotos, que acontece no domingo (16/06). Um dia perfeito para quem diz, repetidas vezes, que o grande amor é o barulho de motor e o cheiro de gasolina.
“Comecei uma nova vida desde que aconteceu aquilo. Se pudesse voltar no tempo, não apagaria aquilo de tanto que aprendi. Aprendi a dar valor à vida e às pessoas. Aprendi a pedir, ter paciência”, descreve o piloto de 32 anos, que não largava a noite antes do acidente e era irresponsável.
Depois desse acaso triste, Cenjor se transformou em referência para os demais deficientes. Arrumou trabalhos de modelo, dá palestras motivacionais, tem emprego fixo numa empresa de acessibilidade e virou um esportista que divide as praças esportivas com pessoas sem nenhum tipo de problema físico. Quando iniciou no esporte, teve como inspiração o ex-BBB (Big Brother Brasil) Fernando Fernandes. Com seu Renault Clio em Interlagos, o cadeirante tenta transmitir aos demais deficientes que é possível ser um personagem importante.
“O nome da nossa equipe é IGT, que significa incluir, garantir e transformar por meio do esporte. Queremos colocar pessoas iguais a nós no esporte. A ideia é mostrar que o deficiente é capaz. Sabemos que existem muitos desse jeito por causa da violência, como no meu caso, acidente de carro e doenças. E a pessoa se sente retraída, não quer fazer nada e mostramos que não é assim”, diz Cenjor, que faz parte da primeira e única equipe composta apenas de deficientes no Brasil. 
O projeto de Cenjor e os companheiros Paulo Polido e Tales Lombardi nasceu há sete anos, quando o trio correu as 500 milhas de kart da Granja Viana, que tem a presença de figuras famosas, inclusive da Fórmula 1. À época, ele até brigou com Felipe Massa, que o jogou para fora da pista em uma disputa.
No Paulista de Marcas e Pilotos, o problema é a grana. A maioria esmagadora dos rivais são empresários, com os bolsos cheios. A IGT gasta R$ 8 mil para colocar um carro na pista, largando em último na maioria das vezes. Nem por isso a emoção de pilotar em Interlagos é menor. “Temos que terminar as provas para ter visibilidade e arrumar mais patrocinadores. É um sonho correr em Interlagos, o S do Senna é um tesão. Estou dando uma de Ayrton Senna, enfrentei chuva na primeira corrida e depois andei só com duas marchas”, diverte-se.
Cenjor tirou a carteira de piloto e passou por todo processo de praxe para estar no grid, mas sofreu com a rejeição dos rivais quando debutou na categoria. “Hoje todos vêm a nossa dificuldade, fazemos tudo com as mãos. Aceleremos, freamos, trocamos de marcha com um botão e ainda tem o rádio. Pensavam que a gente ia atrapalhar. Tivemos uma escola de kart, não viemos de um carrinho de roleman”, desabafou.
Primeiro priorizar o trabalho de inclusão social, depois a carreira de piloto. Por isso, o próximo passo é ter as corridas narradas por Galvão Bueno, na Stock Car. “Não é um sonho distante, o problema é o dinheiro. Sem querer desmerecer os pilotos da Stock, mas tem muito  cara ruim lá. É tudo eletrônico na Stock, é mais fácil”, comentou Cenjor. Alguém dúvida dos planos dele?
“O pessoal que corre na Stock nos conhece, sabem mais ou menos da nossa história. Eles falam que se viermos para cá tiraremos de letra”.
Piloto trabalha por projeto na Arena Palestra
Corintiano de coração, Thiago Cenjor pode ajudar indiretamente na construção da Arena Palestra, do Palmeiras. Mas esse é o tipo de trabalho que ele fará com orgulho, na empresa que toca projetos de acessibilidade.
“Nós fomos chamados para fazer a cotação da Arena Palestra. O engenheiro da obra ficou sabendo de nós, mandou as plantas, enviamos a proposta e estamos esperando uma resposta para fazer o projeto de acessibilidade”, informou o cadeirante de São Bernardo, que lamenta por ver o Brasil tão atrasado nessa questão.
“Fui para um evento de canoagem uma vez. Um quarto no hotel custava 800 reais e a cadeira não entrava no banheiro. Perguntei para o pessoal: ‘como vou tomar banho?’”, se irrita o piloto, que também participa de provas de canoagem e, se tudo ocorrer dentro do esperado, também marcará presença nos Jogos Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
“Tenho um barco, uma canoa havaiana, e já fui Campeão Brasileiro. Não estou treinando como posso por falta de tempo, preciso me dedicar mais, mas sou da seleção brasileira de paracanoagem. Tenho boas possibilidades por falta de atletas no país e os que têm não possuem um preparo físico legal e um nível bom, não conseguem treinar direito”, analisou. 


Por: Antonio Kurazumi  (kurazumi@abcdmaior.com.br)
http://abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=51158


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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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