ORGANIZAR UM JOGO DE FUTEBOL SÓ DÁ PREJUÍZO PARA OS TIMES DO ABCD

Azulão chega a gastar mais de R$ 20 mil; Tigre é o único que lucra graças a parceiros que compram ingressos e cedem aos torcedores

Com exceção do São Bernardo Futebol Clube, jogar em casa não é vantajoso para os times profissionais da Região. O problema nem é a parte
técnica, são os custos envolvidos. Levantamento do ABCD MAIOR (veja abaixo os números dos últimos jogos como mandante de São Caetano e Santo André) mostra que as equipes daqui acumulam prejuízos para fazer uma partida de futebol em casa. A equação é simples: a arrecadação com bilheteria é quase sempre inferior às despesas.
Ninguém gasta mais do que o São Caetano. Dos nove jogos realizados no Anacleto Campanella pelo Campeonato Paulista, por sete vezes a renda líquida ficou no negativo. Apenas a presença dos grandes - São Paulo e Palmeiras - alterou esse quadro. Os números podem ser consultados no boletim financeiro disponível no site da FPF (Federação Paulista de Futebol). Na Série B do Brasileiro, o prejuízo é ainda maior porque os gastos com arbitragem se elevam drasticamente e a torcida visitante raramente enche o Anacleto. E, no fim das contas, o déficit visto no borderô, seja qual for o campeonato, não corresponde à realidade já que não estão contabilizadas as despesas com alimentação dos atletas e hospedagem.
“Não achei uma fórmula para mudar isso (prejuízo). Contratei pessoas especializadas, já fui a escolas levar ingressos e, na época em que a Cônsul patrocinava a equipe, sorteávamos geladeiras e máquinas de lavar, mas nem isso adiantou. O Boca Juniors já jogou no Anacleto e só levamos quatro mil torcedores. Fui feito tudo o que você pode imaginar”, desabafou o presidente do Azulão, Nairo Ferreira de Souza, acrescentando que a cidade não se identifica com o futebol local por causa da influência dos grandes da capital.
Questionado sobre qual o propósito de seguir investindo no futebol, o dirigente fala em comprometimento com atletas, os poucos torcedores e patrocinadores. “A única forma de ter lucro é vender jogadores e segurar patrocinadores”.
O Santo André leva mais público para as suas partidas quando é anfitrião, mas dificilmente escapa do vermelho. De acordo com o presidente Celso Luiz de Almeida, o clube só lucra quando mais de duas mil pessoas comparecem ao estádio Bruno José Daniel, algo raro nos últimos anos. “Gastamos cinco mil reais com concentração”, resume Almeida, mencionando o quesito que não entra no boletim financeiro. Para amenizar o problema, o dirigente garante que irá lançar em breve programa de sócio torcedor.
E qual é a situação do quarteto que joga a inexpressiva e pouco rentável Segunda Divisão do Campeonato Paulista? Nesses casos, a Federação Paulista poupa as equipes de despesas e apenas cobra 5% da renda bruta. Apesar disso, há gastos com policiamento, ambulância e médico, que variam de R$ 1.500 a R$ 2.000. O Água Santa fatura mais do que essa quantia nos jogos realizados no Inamar, entretanto a conta gastos menos arrecadação “empata”, afinal o time de Diadema também custeia a concentração dos atletas.
Despesas diversas
Esse item é um tanto quanto misterioso: é o mais alto no borderô e não dá para entender claramente de onde que sai. Em contato com o ABCD Maior, o assistente administrativo do São Caetano, Wellington Armani, disse que “despesas diversas” se referem aos custos com o pessoal que orienta os torcedores, segurança e lanches que o clube arca durante as partidas. A diretoria do Azulão ainda banca os ingressos dos aposentados, que também fazem parte do item.
Tigre lucrou mais de R$ 1 milhão no Paulista
O presidente do São Bernardo Futebol Clube, Luiz Fernando Teixeira, diz que gasta por volta de R$ 30 mil para organizar um jogo de futebol. Mas a dor de cabeça do dirigente não é tão grande assim quanto parece. Uma pesquisa feita pela Trevisan Gestão do Esporte apontou que o Tigre teve uma arrecadação líquida de R$ 1.219.998,21 no Campeonato Paulista.
Foi com esse dinheiro que a diretoria manteve a maioria dos jogadores para o segundo semestre, quando a equipe jogará a Copa Paulista. Na cabeça dos dirigentes, não se faz futebol sem receita. A fórmula para lotar quase sempre o Primeiro de Maio é a parceria com empresas privadas, que compram os ingressos e repassam aos torcedores.
“Hoje é impossível fazer futebol sem público, a não ser que exista uma empresa por trás que invista muito”, resumiu Teixeira. 
Boletim financeiro dos últimos jogos de São Caetano e Santo André:
Série B
São Caetano 4 x 2 Atlético Goianiense
Arrecadação com bilheteria: R$ 1.705
5% INSS renda bruta: R$ 85,25
Exame antidoping: R$ 2.270
Arbitragem: R$ 6.641
INSS 20% arbitragem: R$ 1.226
Arrecadador (Fiscal FPF): R$ 428
Delegado e observador: R$ 631,20
Despesas diversas: R$ 4.300
Fiscalização: R$ 1.805
Ingressos: R$ 800
Policiamento: R$ 484,25
Total das despesas: 19.219.77
Renda líquida: R$ - 17.514,77
Série D
Santo André 2 x 1 Vila Nova
Arrecadação com bilheteria: R$ 8.260 
5% INSS renda bruta: R$ 413
Arbitragem: R$ 6.190
INSS 20% arbitragem: 986,80
Arrecadador (Fiscal FPF): R$ 428
Delegado e observador: R$ 708,96
Despesas diversas: R$ 2.706
Ingressos: R$ 826
Total das despesas: R$ 12.886.12
Renda líquida: R$ - 4.626,12
* Há menos despesas para os clubes mandantes na Série D em comparação com a Série B 


Por: Antonio Kurazumi  (kurazumi@abcdmaior.com.br)
http://abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=51089

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Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
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