No meio da floresta, o cemitério das bolas perdidas de Mauá

Campo do Flor do Morro é cercado por vasta área verde e jogos só chegam até o fim com ajuda de gandulas 

 Se não fosse o gandula Matheuzinho, as bolas e os jogos no Flor do Morro, em Mauá, acabariam
rapidamente no último domingo (25/10). O campo é cercado por uma vasta e enorme área verde, não à toa recebe o nome de “cemitério das bolas perdidas”. O palco de antigas batalhas e conquistas do tradicional flor do Morro está encravado no meio da floresta, situado no Jardim Zaíra 2.
 É muito ruim jogar aqui. Todas as vezes que mandam nossas partidas para cá temos prejuízo de uma ou mais bolas que se perdem aí nessa floresta. Já protestamos na Liga, pedimos para não jogar aqui, mas não tem jeito”, reclama o diretor da equipe do Sol Nascente, Francisco José de Souza.
Adversária do Sol Nascente no domingo, a Portuguesinha deu um jeito e criou uma solução para o problema. Em um dos inúmeros bicões dados ao longo do jogo, a bola novamente foi chutada para a floresta, o tal “cemitério das bolas perdidas”. Nesse momento, foi acionado o menino Matheus Fernandes, de 14 anos. Em uma lépida corrida, o jovem se embrenhou ao mato para recuperar a pelota e ajudar para que o duelo prosseguisse.
“Geralmente, eu faço isso em todos os campos, só que aqui o trabalho é maior. Também tem o risco das cobras que dizem que tem aí no meio, mas eu não tenho medo”, diz o menino sorridente.
Matheuzinho é o gandula que 'salva' os jogos no Flor do Morro
Matheuzinho é o gandula que 'salva' os jogos no Flor do Morro
 
Pelo lado da Liga, o presidente Aparecido Vicente Dias, o Tchaca, explica a opção pelo local, afinal o problema não se resume apenas a perder bolas. Os buracos são visíveis.
“Mandamos jogos no Flor do Morro porque entendemos que o campo tem condições de uso. Precisa, sim, de aparar o mato, de uma manutenção e sempre buscamos por essas melhorias. Nosso papel é ocupar os espaços públicos, e não deixar de usá-los”.
Do lado da Secretaria de esportes de Mauá, o secretário Waldir Luiz Silva informa que já foi enviado o pedido de emenda parlamentar para a reforma de vários campos da cidade em 2016. No pedido, constam reforma de vestiários, troca de alambrados e outras melhorias.
“Com o aumento de investimentos imobiliários, os terrenos para campos estão cada vez mais escassos. E em Mauá, principalmente, estamos à procura de parceiros para revitalizá-los e manter esta tradição maravilhosa de encontro, discussão e fomento do futebol da várzea”, conta.
Enquanto a emenda não é aprovada, o palco da várzea segue firme graças ao trabalho do presidente do Flor do Morro, o Touche.
“Estou no Flor há 40 anos. Não importo de pegar uma enxada e carpir o que precisa vez em quando. Amo esse lugar e, enquanto puder, vou seguir fazendo.”

Foto: Rodrigo Pinto
Fonte: http://www.abcdmaior.com.br/materias/esportes/no-meio-da-floresta-o-cemiterio-das-bolas-perdidas-de-maua

Share on Google Plus

Sobre Breno Junior

Lado a Lado com o esporte do Grande ABC. Amante e entusiasta do Esporte no interior do ABCDM.
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial